Jorja, tu é fogo!

O Euclides me disse que era uma péssima ideia brigar com a Jorja. Amava muito a mulher, mas quando havia qualquer desentendimento sua retaliação era jogo baixo. Uma palavra deslocada, um favor negado, uma perigosa troca de nomes ou datas e Jorja abandonava a gilete. Deixava os grossos pelos do rosto aparentes e ainda escanhoava a pelugem farta no formato de um cavanhaque latino. Seguia para o supermercado assim, recepcionava seus amigos do escritório assim e ainda aumentava a frequência de beijocas diárias. Jorja era perversa. Quando a boca vermelha vinha hirsutíssima em sua direção, Euclides ficava tão paralisado e confuso, que não tinha mais muita certeza de quem ele era.
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