Mulher abraçando uma samambaia
Clair, a planta está tomada por pontos de mofo branco. São pequenas gotas de pelúcia. Clair, acho que a melhor coisa que fazemos é jogá-la no saco de lixo.
— Mas ela está viva!
De que importa, Clair? Ela está viva e sofrendo. Viva e comendo o estrume que o diabo amassou. É tão claro que estamos praticando uma forma de tortura ao mantê-la viva assim, moribunda, fracota. Além do quê, ela está enfeando a sala. Basta olhar para essa coitada que me vem à cabeça: morte, morte, morte. E o gato, pobrezinho do Sônio, pode morrer envenenado se mordiscar uma de suas folhas. Esta planta doente se tornou uma ameaça para este lar. Só você não vê isso, Clair.
— Ouvi falar que se borrifar café nas suas folhas o fungo morre.
Café? Não é cinza de cigarro?
—Sei lá. É uma coisa assim.
(Suspira longamente.)
Tá vendo, Clair? Você não se movimenta e não me deixa pôr fim nesta planta. Depois que uma tragédia maior acontecer nesse lar, a culpa será toda sua. Não falo mais nada.

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