sofá, tapete
Ficamos aqui, debaixo do cobertor, eu e você, de olhos grandes. Respira alto, entrelaça os pés. Faz frio e seu corpo me aquece. A tevê está ligada, escalamos o sofá da sala, um documentário sobre seres humanos especiais, cujo defeito numa glândula do hipotálamo provoca gigantismo contínuo, me espanta com uma declaração cruel: “Rachel nunca vai parar de crescer”. Você vai e volta num alento tímido. Faz frio. Uma cerração quase imperceptível toma a noite e é como um retrato que só eu posso ver. Um pequeno monóculo de plástico. Nós dois, sob o cobertor, esparramados geometricamente sobre o sofá — elegante e a postos sobre o tapete. A tevê chia, gigantes desengonçados passeiam tristes lá fora. Você está aí, de olhos grandes, pequeno. Como é bom. Você respira.
